
Fetrafi/SC cobra posição mais firme da Fenaban em relação à pandemia
A direção da Fetrafi-SC, cobrou um posicionamento mais firme da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) em relação às ações necessárias para prevenção do contágio por Covid-19 nas unidades bancárias.
Em reunião virtual realizada na sexta-feira (12), os dirigentes demonstraram uma grande preocupação diante da atual situação da pandemia em Santa Catarina. Outro ponto destacado foi o fato de que, mesmo atravessando um dos momentos mais críticos da crise sanitária causada pelo coronavírus, alguns gestores de agências bancárias não estão cumprindo na íntegra os protocolos de prevenção e combate à proliferação do vírus.
Santa Catarina é, atualmente, a quarta unidade da federação em número de infectados e a segunda na relação infectados por milhão de habitantes. Após o colapso no sistema de saúde, com 100% dos leitos de UTI ocupados, a fila de espera por atendimento médico só aumenta, e, por consequência, a média móvel de óbitos acompanha este crescimento.
Apesar de reconhecer a gravidade da atual situação, não houve uma resposta consistente em relação ao tema, somente um indicativo de resposta futura. Os banqueiros precisam entender que o vírus não espera, enquanto isso, a vida das pessoas está correndo risco. É incompreensível que o setor que mais lucra ao longo de décadas, criem tantas dificuldades para atender questões que visam salvar vidas.

Jacir Zimmer, coordenador da Secretaria Geral da Fetrafi/SC, destaca que estamos diante de uma situação em que os especialistas apontam ser só o início de uma tragédia ainda maior. “O sistema de saúde do Estado colapsou totalmente. Não podemos admitir que, neste cenário, ainda tenhamos problemas no cumprimento de protocolos”.
O presidente do Sintrafi Florianópolis e Região, Cleberson Pacheco Eichholz, ressalta que os esforços e as medidas que foram adotadas no atendimento bancário até o momento contribuíram para proteger parcela significativa da categoria, e certamente ajudaram a salvar vidas. No entanto, diz ele, a situação de colapso que vivemos em Santa Catarina torna estas medidas insuficientes, impondo a necessidade de tomar atitudes mais rigorosas e imediatas. “Enquanto não houver vacina para todos, a forma mais eficaz de reduzir os riscos é diminuir a circulação de pessoas e evitar aglomerações”.
Pauta da categoria
Durante a reunião surgiram ainda outras demandas, que, paralelamente aos efeitos da pandemia, também têm causado impactos significativos no dia a dia da categoria, como o processo de reestruturação do Banco do Brasil e a negativa de emissão da CAT para os trabalhadores infectados pela Covid-19.
As reivindicações apontadas pelos bancários para a Fenaban destacam a importância de uma melhor orientação aos gestores para lidar com situações de afastamento de casos suspeitos ou confirmados, fechamento das unidades para sanitização e desinfecção quando necessário, e agendamento dos atendimentos para evitar aglomerações. Também é solicitada atenção especial às gestantes e aquelas responsáveis por crianças, que estão sendo convocadas para trabalho presencial.
Zuleida Martins Rosa, dirigente do Sintrafi, aponta que não faz sentido colocar em atendimento presencial nos bancos as mães com filhos pequenos, num dos momentos mais críticos da pandemia. “Além da dificuldade de encontrar um local para deixar seus filhos ou alguém que possa cuidá-los, o que precisamos levar em consideração é que creches e escolas são locais de grande propagação do vírus. Ou seja, as crianças acabam tornando-se vetores de contaminação, levando o vírus para dentro de casa, e, por consequência, para as agências”.
Outro ponto abordado foi a alternativa de estabelecer períodos de atendimento preferencial ao público idoso, evitando horários em que haja grande circulação de pessoas. O intuito é evitar que este grupo, considerado de risco, esteja ainda mais exposto ao vírus. Santa Catarina é um dos estados com maior índice de longevidade, o que faz com que se tenha um grande número de aposentados procurando atendimento presencial nas agências bancárias.
Veja a seguir o resumo das solicitações encaminhadas:
1 - Referente ao atendimento para o período de pico da pandemia
- Realizar a medição de temperatura dos usuários e todos os funcionários;
- Aplicar o agendamento para atendimento presencial;
- Redução do horário de atendimento das unidades bancárias;
- Redução para 50% do quadro de funcionários nas unidades presenciais;
- Restringir o acesso à unidade bancária somente para quem estiver em atendimento, sendo um cliente por funcionário;
- Viabilizar proteção de acrílico nas mesas de atendimento nas áreas meio, para proteção do bancário e do usuário;
Medidas protetivas
- Garantia de aplicação dos protocolos nas unidades que tenham casos confirmados de Covid-19; - Antecipação da aplicação da vacina contra H1N1 para os bancários e bancárias do sul do Brasil;
Relação de Trabalho
- Não exigência do cumprimento das metas e proibição de visitas externas.
Encaminhamentos
A Comissão da Fenaban se comprometeu em realizar uma nova reunião nesta quarta-feira, dia 17, ainda a ser confirmada.
A sinalização de dar andamento às demandas da categoria é importante, porém, insuficiente diante do atual quadro caótico instalado com a crise sanitária. Os trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro aguardam respostas concretas e soluções urgentes por parte da Federação Nacional dos Bancos.